terça-feira, 25 de abril de 2017

Preparando Abril

Não foi só militarmente que o 25 de Abril começou a ser preparado muito tempo antes. Os poetas, os escritores e pensadores, a música, a arte em geral, começaram como puderam, conforme lhes era permitido, a rasgar passagens, a quebrar barreiras, a abrir brechas nos pensamentos.

Ary dos Santos e alguns amigos quase se apossaram do Festival da RTP passando mensagens algo subliminares que foram ficando no ouvido e, aos pouco, agitando ideias.

Escolhi para hoje os meus preferid(íssim)os.

A Festa da Vida quase poderia ser cantada no dia a seguir ao 25 de Abril.





Cavalo à solta a mais bela, a minha preferidíssima...





A Canção de Madrugar cantada no Festival por Hugo Mais Loureiro, mas mais bem conseguida na versão de Carlos do Carmo, que aqui fica.





E depois do adeus - a última antes do mítico dia 25 e que serviu de senha para o "ataque".





E muitas outras mais que serviram o mesmo desígnio e não cabem no espaço de uma publicação deste tipo.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Devemos cantar!

Levantam canções no ar
os grilos sem terem voz

Com as asas é que nós
também devemos cantar

(David Mourão-Ferreira)




domingo, 23 de abril de 2017

A imagem diz tudo...

A imagem diz tudo...




... e a música também!







Celebremos os livros porque

"os livros são objetos transcendentes"...


sábado, 22 de abril de 2017

No Dia da Terra

Então fiquei a saber que a Tapada de Mafra organizou para hoje de manhã uma caça às hastes. Uma caça às hastes? perguntei-me eu. Sim! Todas as Primaveras os veados e os gamos da Tapada perdem a sua armação, as hastes, num processo que tem o nome de desmoque. E serão essas hastes perdidas que os participantes terão de procurar. Parece-me bem para celebrar de forma diferente o Dia da Terra, bem no meio de um tão belo cenário natural.

Ora a propósito de Tapada de Mafra, lembrei-me de ir reler um ou outro fragmento do livro «As fabulosas histórias da Tapada de Mafra» de Cristina Carvalho, filha de Rómulo de Carvalho/António Gedeão.

E, já que estamos a falar de veados, deixo aqui esta engraçada história que retirei do referido livro.
«Existiu na Tapada um veado especial. Nunca teve um nome pelo qual fosse mais fácil e imediato dar com ele. É que nem sempre os responsáveis pelas vidas dos animais aqui na floresta lhes dão nomes. Veem-nos nascer, às vezes alimentam-nos a biberão, os animais crescem rapidamente e criam-se laços indestrutíveis de amor e amizade entre humanos e bichos. Numa tentativa de não os personalizar demasiadamente, muitas vezes ficam sem nome. É sempre muito doloroso quando morrem. Um nome é uma marca, um sinal para determinado animal, talvez um que se tenha afeiçoado mais, talvez um mais belo, mais próximo, mais manso. Com nome dado, a sua morte é mais difícil de suportar.

Por isso mesmo, o veado da Tapada, que nunca teve um nome mas toda a agente o distinguia dos outros todos, era uma animal enorme! O seu corpo grande e pesado não passava despercebido. Às vezes, um restolhar intenso ali nas moitas próximas e já se veem as poderosas pernas e a cabeça com grandes hastes a afastar as ervas, abrindo caminho. Todos os anos, na primavera, o veado perdia as suas hastes ramificadas e tornava-se agressivo, investindo contra tudo e contra todos e, como era ciumento e desconfiado, era difícil amansá-lo. Só na presença de uma mulher, qualquer uma, é que ele acalmava, e isto ninguém nunca conseguiu explicar!

Um dia, um dos guardas viu-se tão aflito e aterrorizado com as investidas do grande veado que teve de trepar pelo tronco da árvore próxima, até onde conseguiu. Ali ficou, num ramo, horas e horas a fio. O veado cá em baixo a rondar, a rondar soprando pelas narinas, e o homem, lá no alto da árvore à espera que por ali passasse alguém, de preferência uma mulher. Por um acaso e sorte desse dia inquieto, a ronda da mata, aqui já perto da entrada e pelas sete da tarde, foi feita por duas guardas florestais. Avistaram o furioso animal rodando à volta do tronco da árvore e foi então que ouviram um chamamento vindo do alto!


Como teria sido se elas não passassem por ali naquela hora, naquele dia?» 

(Sextante Editora, Porto, 2016, pp 70-71)






sexta-feira, 21 de abril de 2017

Todo o cuidado é pouco...

  Dois polícias ligam para a esquadra:

- Estou?! Meu sargento?

- Sim! Diga!

- Temos aqui um caso, meu sargento. Uma mulher acabou de dar um tiro no marido porque passou por cima do chão que ela tinha acabado de lavar com a esfregona.

- Então e já prenderam a mulher?

- Não, meu sargento. O chão ainda está molhado…





Bom fim-de-semana!
E... cuidado com o chão molhado...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

«O Tesouro»



Este livro foi escrito pelo poeta/escritor Manuel António Pina por encomenda da Associação 25 de Abril para a celebração do 20º aniversário da Revolução.

Sobre o livro, o autor disse o seguinte numa entrevista que deu numa escola: «E um dia, a comissão que estava a organizar os 20 anos do 25 de Abril… Já havia jovens da vossa idade que não sabiam o que era o 25 de Abril e a comissão convidou-me para fazer isso, numa sexta-feira. Não sei se sou capaz, disse, mas vou tentar explicar aos mais jovens o que foi o 25 de Abril, que foi um dia memorável, foi uma experiência… Valeu a pena viver só para viver aquele dia. Disseram-me que era para segunda-feira e era sexta… E o que saiu foi aquilo.  A minha ideia e a minha preocupação a fazer esse livro era explicar a jovens que nasceram em liberdade o que era a falta de liberdade… No livro, diz lá assim: “A liberdade é como o ar que respiramos”… Nós nem nos damos conta de que respiramos, respiramos e pronto, mas quando nos falta o ar é um sufoco. E a liberdade é uma coisa parecida… vocês nem se dão conta de que são livres, mas quando perdemos a liberdade é um sufoco enorme. E depois queria tentar, através de histórias verdadeiras e de pequenos pormenores, explicar como não haver liberdade é completamente absurdo, não é natural. A razão não consegue alcançar como eram proibidas coisas como, para jovens como vocês, as raparigas não poderem andar nas mesmas escolas do que os rapazes, tinham de estar separadas. A minha mulher foi impedida de ir às aulas e uma colega dela expulsa porque foi de calças para a escola. E a amiga dela foi expulsa porque persistiu…» (daqui)

Foi este livro que hoje comprei para oferecer aos meus netos no próximo dia 25.

Oxalá gostem!


quarta-feira, 19 de abril de 2017

O Castelo de Arouce

Então ontem era dia de visitar Sítios e Monumentos e eu, sempre tão atenta (!!) trouxe para aqui música como se do dia dela se tratasse! Não me parece bem… E, para me redimir de tão grave falha, hoje convido-vos a visitar comigo o imponente Castelo de Arouce.

Vai uma pessoa, desavisada, visitar as aldeias de xisto ali da Serra da Lousã e depara-se na curva do caminho com esta muralha ali plantada a pique. Um espanto! Mas, o que é isto?! Um castelo? Uma torre apenas?



E depois descobriu-se mais.




E mais...














E no seu todo...


(esta fotografia foi retirada do site da CM da Lousã)




Apesar de não existir documentação que permita dizer com precisão quando foi construído o Castelo de Arouce, existe uma lenda local que dá a entender que a construção deverá ter ocorrido ainda no tempo da dominação romana. Conta-se que, certo chefe mouro de nome Arunce foi repelido dos seus estados em Conimbriga por inimigos que vinham do mar.

Assim, ele refugiou-se nesta zona da serra da Lousã, dando o seu nome à localidade e edificando aí um Castelo onde pretendia resguardar a sua filha Peralta, e também guardar os seus tesouros. No entanto, muitos historiadores não dão qualquer valor a esta lenda local e atribuem a edificação do Castelo de Arouce ao Conde Sesnando, em 1080, ano em que Fernando Magno lhe concedeu o governo da vasta circunscrição conimbricense.


Mais tarde, em 1151, D. Afonso Henriques passou a Arouce um foral, que viria a ser confirmado por D. Afonso II. Nesses documentos pode ler-se que Arouce era nessa época uma vila, ao passo que Lousã era uma aldeia.

No entanto, com o passar dos tempos, Lousã foi crescendo e, quando D. Manuel I fez a reforma foraleira, em 1513, o foral já não foi atribuído a Arouce, mas sim à Lousã. Nessa altura, a povoação de Arouce provavelmente já teria desaparecido pois o Castelo mencionado no foral já é denominado de Castelo da Lousã. 


http://www.historiadeportugal.info/castelo-de-arouce/ 





Espero que a visita a este Sítio e a este Monumento tenha sido do vosso agrado!