quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Red Roses for a Blue Lady

Não é novidade para ninguém que gosto - sempre gostei - de canções românticas.

Hoje, que me sinto particularmente «blue» porque estou farta de Verão quente e de férias em casa,  lembrei-me - lembro-me muitas vezes - desta canção linda que se ouvia muito nos idos de 60, mas que, curiosamente nasceu em 1948 - como eu... 

Esta é a versão de que me lembro, embora tenha sido tão popular que foi interpretada por cantores como Pat Boone, Andy Williams, Paul Anka, Dean Martin, Frank Sinatra e por grandes orquestras de música de dança.

Quem se lembra?



Mas não resisto a deixar aqui esta delícia de interpretação de Jimmy Osmond, o irmão mais novo dos The Osmond, quando ainda era muito, muito pequeno.

Ora vejam só a maravilha...




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Hilariante, ou talvez não...

Quando, no ano da Revolução, mudei a minha vida toda aqui para Leiria, lisboeta bem habituada a Lisboa, senti falta de muitas, muitas coisas (acho que até falta de ar senti…) Porém, aquilo de que mais me senti foi mesmo a quase inexistência de transportes públicos.

Não tendo sido talhada para a condução automóvel (sim, a carta lá está numa qualquer gaveta no seu tom rosa forte e com a fotografia dos meus vinte anos) e morando na periferia da cidade(zinha) a três quilómetros da escola onde trabalhei sempre, tive enormes amargos de boca  para me fazer transportar dado que havia uns raros autocarros que faziam (e fazem) mal a ligação dos arredores a esta capital(zinha) de distrito. Além disso, o que não era melhor, é que nunca houve nesta terrinha (nem há) a noção do que era fazer uma bicha (desculpem a minha rudeza, mas recuso-me a dizer «fila») para apanhar um autocarro (carreira, como diziam…) de modo que era «tudo ao monte e fé em Deus», empurrões com cestas e as mãos das mulherzinhas nas nossas costas para nos empurrarem para dentro…

De facto, mesmo morando em Algés ou em Sintra, e naqueles tempos cinzentos de 50/60, sempre me movi para todo o lado utilizando transportes públicos. Aqui, penso que, somadas todas as horas e minutos que passei à espera do dito autocarro, daria uns belos meses senão mesmo anos… (Culpa minha, eu sei…) Uma coisa é certa, porém: nunca cheguei atrasada a nenhuma aula ou reunião de trabalho!

Ao longo destes anos todos, a situação dos transportes feitos pela mais que limitada Rodoviária do Tejo não se alterou em muito. Os autocarros passaram a ter uma frequência de 40 minutos, mas sem qualquer obrigação de cumprir horários, ou de fazer todas as carreiras. Aos sábados e domingos não havia autocarros e grande parte das redondezas continuaram sem ligação à cidade. Os alunos do meu local de habitação continuam ainda hoje sem autocarro para a EB2,3 que está situada a mais de dois quilómetros das suas casas…

Bom, mas aqui há uns quatro ou cinco anos, a nova autarquia resolveu criar uma carreia nova de ligação mais rápida e mais frequente dos locais da área urbana ao centro da cidade, a que chamou Mobilis. Muito bem, mas, hélas!! Apenas fazia a ligação da área “mais urbana”, que o resto da dita zona urbana ficou de fora. Gritos e barafustos das populações e dos autarcas das freguesias!! E, ao fim de muitos gritos e barafustos (e de alguns anos mais), finalmente a edilidade, cheia de boa vontade, lá alargou mesmo as voltas do Mobilis, chegando a locais mais «recônditos» do concelho e, pasme-se! até ao subúrbio onde moro que é, repito, a três quilómetros da «civilização»…

Ontem, resolvi-me a ir experimentar o Mobilis. Andei por Leiria (a ver as lojas e o castelo) e, depois de muito procurar, lá encontrei uma paragem da dita 8ª maravilha. Depois de muito esperar que o motorista convencesse (de forma irritantemente brincalhona) uma velha senhora que aquele carro era o que ela queria apanhar, lá consegui entrar e pagar o bilhete. Entraram mais pessoas e o motorista ia dizendo aos brados: «Vamos lá. Vamos lá, que quanto mais depressa entrarem, mais depressa partimos!». Só que alguém lhe ligou para o telemóvel e aí ele diz: «Desculpem lá, mas temos de esperar pelo Jorge! Se quiserem sair, estejam à vontade porque aqui dentro está muito calor!» 

Passado algum tempo, lá percebemos que o Jorge era o motorista do outro Mobilis que entretanto chegou com o carro e tivemos ordem de partida. E volta o motorista à carga: «Importam-se que leve a porta aberta porque está muito calor?». Vento a entrar, que bom, fresquinho, que ar condicionado não há! A senhora de idade, que ia sentada no lugar da frente, só não foi aspirada pela porta aberta porque era um bocado pesada… Uma senhora levanta-se e toca a campainha para sair; o motorista apercebe-se e pergunta no seu tom pseudo-brincalhão: «Quer sair? Tem de dizer, porque a campainha não toca! Mas quer sair onde? Aqui?» Que era ali atrás, na paragem, diz a senhora… Travagem a fundo e lá sai a senhora. «Até é bom a campainha não tocar! Assim há comunicação entre os passageiros e o motorista…» diz ele!

Aí lembrei-me que bom seria o vereador, vice-presidente, que conheço desde quando usava calções, viajar ali, disfarçado, claro, para ver funciona esta sua jóia da coroa…

E quer ele, e não só, que Leiria seja Capital Europeia da Cultura num destes anos… Ai, ai!


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

E, em cada viela, damos com ele...

Em cada viela, ao virar de cada esquina, por cima do casario, damos sempre com ele... e é sempre lindo. O Castelo.


















Lembro a propósito uns versinhos que escrevi aquando da minha primeira visita a Leiria depois de conhecer aquele que viria a ser o meu marido.


O castelo iluminado
O castelo enluarado
O castelo esverdeado
O castelo à luz do dia.
Visto de frente o castelo,
de baixo, de cima, de lado,
de perfil perspectivado,
visto ou não em simetria,
não tem noutro paralelo
o teu castelo de Leiria. 

(quanta ingenuidade há na paixão...)



domingo, 21 de agosto de 2016

Coveiros e assessores

Realmente, à partida, nada têm a ver. Para já vejamos como são recrutados uns e outros... E depois atentemos nas definições avançadas para cada um das profissões.


No aviso nº ----     (2ª Série) do D. R, declara-se aberto concurso no I.P.J.
Para um cargo de "ASSESSOR", cujo vencimento anda à roda de 3500 euros).

Na alínea 7:... "Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na
"... Apreciação e discussão do currículo profissional do candidato."

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Já no aviso simples da pág. 26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança concurso externo de ingresso para COVEIRO, cujo vencimento anda à roda de 450 euros mensais.

Método de selecção:

Prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos.
A prova consiste no seguinte:

1. - Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional;
2. - Regime de Férias, Faltas e Licenças;
3. - Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos.
4. - Depois vem a prova de conhecimentos técnicos: Inumações, cremações, exumações, trasladações, ossários, jazigos, columbários ou cendrários.
5. -Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais.
6. - Os cemitérios fornecem documentação para estudo.
Para rematar, se o candidato tiver:
- A escolaridade obrigatória somará + 16 valores;
- O 11º ano de escolaridade somará + 18 valores;
- O 12º ano de escolaridade somará + 20 valores.
7. - No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.

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Por estas e por outras, é que em Portugal existem Coveiros Cultos e Assessores de ….


Definição de funções

- COVEIRO - Homem ativo que enterra os mortos;
- ASSESSOR - Homem passivo que ajuda a enterrar os vivos;​




sábado, 20 de agosto de 2016

Ulysses

A nossa saudosa amiga e colega Amélia Pais, que sabia muito de literatura, dizia que nunca se poderia entender muito bem e saber muito sobre o romance moderno se não se tivesse lido o Ulysses de James Joyce.

Lamentavelmente, em três anos de Literatura Inglesa na Faculdade, nunca ninguém nos falou dessa – nem de outras igualmente importantes – obra. Sabemos que uma licenciatura, mesmo das que levavam cinco anos a completar, não dá o conhecimento universal, pretendendo antes lançar as bases e fornecer as ferramentas para nos tornarmos cada vez mais e mais sabedores, cada vez mais e mais bem formados. A questão é que – e já aqui disse isso antes – as nossas obrigações profissionais e familiares da fase adulta nem sempre nos deixam tempo e até disponibilidade mental para fazermos as leituras que devíamos fazer.

Agora que, finalmente, me (re)lancei na leitura dos clássicos, comecei a ler Ulysses. Confesso que não está a ser fácil, mas também ainda agora estou no princípio… Eu até me “dou bem” com a leitura de Virginia Woolf – terminei há dias a leitura de «Orlando – uma biografia» que muito apreciei e que, de facto, é uma biografia não da complexa (mas terrivelmente romântica e sensível) personagem Orlando, mas a biografia do espírito do(s) tempo(s) em Inglaterra desde a era isabelina até 1929. Muito interessante.

Vamos ver como e se me consigo “desenvencilhar” do Ulysses, o romance modernista do irlandês James Joyce, escrito entre 1914 e 1921 em Trieste e Zurique – já que o seu autor saiu jovem da sua Dublin – e publicado em 1922 em Paris, depois de Joyce ver recusada a sua publicação nos Estados Unidos e em Inglaterra, curiosamente pela editora dirigida por Virginia Woolf.


(O autor e a sua editora Sylvia Beach)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Entrevistas de Verão

Não gosto de ler entrevistas. Aborrecem-me. Aborrecem-me se são longas pela dispersão das temáticas. Aborrecem-me se são breves por serem, a maior parte das vezes, áridas ou tontas. Prefiro sempre um bom artigo sobre a pessoa em questão ou um texto escrito pelo próprio acerca do(s) tema(s) que se querem ver tratados. Desse modo, não temos de lidar com as interrupções do entrevistador – que muitas vezes corta o fio do discurso e do pensamento do entrevistado – e com as suas muitas vezes acidentadas mudanças de rumo. Além disso, é frequente os entrevistadores não estarem ou serem bem preparados para a abordagem dos assuntos e até mesmo para a abordagem ao entrevistado.

Abro exceção para algumas entrevistas passadas na revista Ler sobre literatura, grande parte delas traduzidas do inglês ou do francês, e que são feitas por quem sabe muito do tema. Não se espraiam a falar de onde nasceu e de como a infância o/a influenciou na escrita, são verdadeiros artigos sobre literatura.

Isto vem a propósito das entrevistas de verão que o jornal DN tem feito a escritores e pessoas da ciência e da política. Claro que não me ative – e perdoe-se-me a arrogância – a ler num uma linha da entrevista ao “pisca-olho” do Rodrigues dos Santos, mas dei uma vista de olhos pela entrevista à escritora Dulce Maria Cardoso – de quem li e gostei de lei O Retorno – e achei de uma superficialidade incrível.

Pior, ou talvez não, foi ler a entrevista de ontem ao cientista João Magueijo, um físico de caráter algo estilhaçante que trabalha no Imperial College London. O que doeu foi constatar a grandeza de pensamento do cientista (que também tem livros editados fora da ciência embora não dentro da ficção) e a pequenez de espírito do entrevistador. A entrevista pretendeu ser abrangente, sem se ater apenas aos aspetos científicos (em que o entrevistador devia estar a léguas de distância do físico – e isso é o menos) mas que ficou muito aquém nos aspetos políticos (sobre o brexit nomeadamente) e sobre conceitos como a dualidade esquerda/direita que notoriamente “baralhou” o entrevistador. Este não teve a humildade de deixar o cientista transmitir um pouco do seu pensamento – que é o interessante numa entrevista já que é assim que aprendemos e alargamos os nossos horizontes – e, por outro lado, com algumas das suas perguntas “pequeninas” deu azo a que o respondente lhe desse algumas “patadas” e a respostas de que não estaria à espera nem gostaria de ter ouvido.

Se estiverem na disposição de ler a entrevista poderão fazê-lo aqui.

João Magueijo

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A minha Branquinha...

Nunca tal me acontecera. Há anos que, quando saio de férias, deixo os meus gatinhos de estimação (e por vezes, também as das minhas filhas) em casa com saída e entrada assegurada para o quintal e contando com a amabilidade da vizinha que, ao longo dos tempos, vem aqui, quase maternalmente, pôr-lhes a comida de manhã e à noite.

Quando volto, cá os encontro: uns mais rápidos a aparecer, outros mais demorados, lá vêm ter comigo, esfregando-se nas minhas pernas, miando por festinhas.

A minha mais velhota, a minha Branquinha, que está habituada a ficar diligentemente há mais de oito anos, chega sempre um pouco mais tarde, enervada com a ausência e com a presença sempre indesejável de outros gatos que se aproximam da casa e entram «roubando-lhes» os biscoitos… Mia alto a ralhar comigo, mostra o seu mau feitio como pode e sabe e no primeiro dia não me salta para o colo. Quando, em finais de Julho, chegámos do Algarve, só apareceu no dia seguinte, bem mais magra e bem mais aborrecida comigo.

Mas desta vez, não aparece. Já passaram cinco dias desde a nossa chegada a casa e da minha Branquinha nem sinal. Procurámos já pelos quintais vizinhos chamando-a com toda a meiguice, mas ela não aparece.

Estou tão triste! Já perdi tantos gatinhos, grande parte por eutanásia ou por morte natural, e dói sempre muito. Agora desaparecer-me assim uma gatinha mimada, habituada, desde que ainda bebezinha, aqui me apareceu no jardim, a casa e ao espaço envolvente, sem saber o que lhe poderá ter acontecido, é um sobressalto muito diferente.

Podem rir de mim que eu não me importo, mas podem crer que estou tão triste!