quinta-feira, 25 de maio de 2017

No dia da espiga

Eu podia hoje falar do trágico ataque terrorista que aconteceu na cidade de Manchester – mais um! E quantos mais poderão acontecer?

Poderia, por outro lado, lamentar as trágicas mortes inúteis dos tantos milhares de sírios, de afegãos, de iraquianos (e crianças, senhor!) por força daquelas “primaveras” árabes de tão triste memória. E as crianças e as famílias que sucumbem naquelas travessias lúgubres da Líbia para a Itália em precários barcos de borracha?

Poderia comentar a balbúrdia instalada em Brasília por um presidente que, ávido do poder, conspirou e destituiu a sua antecessora e que agora se vê na mesma situação, agarrando-se, frágil e temeroso, ao posto do comando, prometendo – ou ameaçando – não sair!

Poderia ainda ironizar, zombar, escarnecer as cenas façanhosas daquele presidente tartufo que o povo americano escolheu – ou se lhe impôs, sei lá! – nas suas rústicas visitas a Moscovo, ao Vaticano e hoje na NATO.

Poderia, tão-somente, deixar aqui o pensamento que me tem assolado o espírito ultimamente sobre o número de greves que têm sido convocadas para a função pública – convenientemente marcadas para as sextas-feiras, note-se! – número mais elevado, parece-me, no espaço de tempo em que o atual governo está em funções do que nos quatro longos anos do governo anterior que, esse sim, deitou por terra grande parte dos benefícios dos ditos funcionários…

Mas não!... Hoje foi o dia da espiga – tradição tão nossa, tão simples e primaveril, que dá vontade de reler Cesário Verde e trautear música popular de qualidade…

«Espreitam-te, por cima, as frestas dos celeiros;
                O sol abrasa as terras já ceifadas,
                E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
                Sobre os teus pés decentes, verdadeiros,
                As saias curtas, frescas, engomadas.(…)

Exótica1 E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
                No atalho enxuto e branco das espigas
                Caídas das carradas no salmejo,
                Esguio e a negrejar em um cortejo,

                Destaca-se um carreiro de formigas(…)»

("De Verão", Cesário Verde, 1887)





Votos de muita farturinha para todos!




terça-feira, 23 de maio de 2017

Morreu O Santo!

Já toda a gente sabe, mas não quero deixar de aqui a minha modesta homenagem a Sir Roger Moore que me habituei a ver nos idos de 60, ainda a branco e preto, na série de televisão O Santo, atrevido, vaidoso e ... lindo!!




Deixem-me recordar-vos uma ou outra cena.




O seu grande papel foi, porém, o desempenho da personagem Bond, James Bond, o 007, tendo sucedido, neste papel, ao famoso e, a todos os níveis, grande Sir Sean Connery (que eu sempre preferi a todos os outros atores que se lhe seguiram incluindo Roger Moore).




Sir Roger Moore morreu hoje, na Suíça, aos 89 anos, após uma "curta, mas corajosa batalha contra o cancro", nas palavras dos seus três filhos. 

De referir ainda o seu empenho e entusiasmo como embaixador da boa vontade da UNICEF, uma função para a qual fora nomeado em 1991.

Usando as palavras de um amigo: O século XX insiste em desertar à força toda.

Lembremo-lo senhor de todo o seu charme.








segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dia de...

Deus do céu!!! Fiquei agora a saber que o dia de hoje é, para além (da pepineira) do Dia do Abraço – o facebook e os telejornais estão cheios de pessoas a darem abraços apenas porque é o dito dia deles – é também o Dia do Autor Português (o que me parece bastante louvável, se servir para celebrar os autores portugueses) – e é também do Dia da Biodiversidade – não me perguntem porquê.

Será que os dias do ano já não chegam para comemorar mais Dias de? Ou foi só porque sim, porque calhou? Será que não há nada de mais importante e substancial para entreter o pessoal ou assim fica mais barato e ajuda a manter-nos levezinhos e simples (leia-se simplórios…)?

Sei, não! O que sei é que o facebook e os telejornais bem se encheram com imagens tolinhas de pessoas a correr com cartazes no ar a pedir e a querer dar abraços, mas quanto aos Autores Portugueses e à Biodiversidade, nem palavra! – É que essas realidades não são divertidas, nem servem para manter o pessoal levezinho e simplório… (Ui, o que eu vou levar na cabeça pelo que estou para aqui a dizer! Mas é assim que penso, que se há de fazer?!)

Lembram-se do fado do Zé Cacilheiro (1966) cantado pelo José Viana, ator do teatro de revista, cantor e desenhador? Pois veio-me à memória parte da letra que dizia qualquer coisa como:
«eu vi ou então sonhei
que os braços do Cristo-Rei
estavam a abraçar Lisboa»

que é uma imagem lindíssima da nossa lindíssima Lisboa.

E assim dá para celebrar o Abraço (a Lisboa), os Autores Portugueses (que escreveram a canção: César de Oliveira e outros) e a Biodiversidade (com todos os seres vivo, micro e magro organismos que se adivinham no Tejo e nas lindas margens que o abraçam…





Ah! Mas há mais: é que hoje é também o Dia da cidade de Leiria, toda ela abraçada pelo Lis, sob o olhar vetusto e atento do Castelo…











domingo, 21 de maio de 2017

Selfie valiosa...

Assim vale a pena ir ao museu!...



sábado, 20 de maio de 2017

Claridade segundo Almada

«Imaginava eu que havia tratados da vida das pessoas, como ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que há para os animaes domesticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!

Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha hostias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma hostia. Um livro pequenino, com duas paginas, como uma hostia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia.»

(Almada Negreiros, in “Invenção do Dia Claro”, 1921)



Bom que assim fora!!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

«Il faut savoir»

Se calhar foi por ter sido educada para a contenção das emoções e dos sentimentos que sempre gostei tanto desta canção!




Muito linda e muito forte, não acham?


quinta-feira, 18 de maio de 2017

O Museu do Brinquedo de Sintra

Hoje, Dia Internacional dos Museus, relembro aqui o Museu do Brinquedo de Sintra, que esteve instalado no antigo quartel dos bombeiros no chamado centro histórico da vila, desde 1997 e que, infelizmente, encerrou no fim do verão de 2014 por forte quebra no número de visitantes e consequente falta de verbas.

O museu expunha mais de 60.000 exemplares de diferentes brinquedos, uma das maiores coleções do mundo.

Deixo aqui algumas fotos de uns tantos dos brinquedos pela objetiva do meu amigo blogger Pedro Macieira do Rio das Maçãs.






























Uma pena que tenha fechado!

Atualmente, naquele espaço, está sediado o Museu da Notícia, de que falei aqui.