segunda-feira, 27 de março de 2017

No Dia Mundial do Teatro

«Vocês, artistas que fazem teatro
Em grandes casas, sob sóis artificiais
Diante da multidão calada, procurem de vez em quando
O teatro que é encenado na rua.
Quotidiano, vário e anónimo, mas
Tão vívido, terreno, nutrido da convivência
Dos homens, o teatro que se passa na rua.»

Bertolt Brecht


«A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.»

De autor desconhecido

«Então sonhei um sonho tão bom: sonhei assim: na vida nós somos artistas de uma peça de teatro absurdo escrita por um Deus absurdo. Nós somos todos os participantes desse teatro: na verdade nunca morreremos quando acontece a morte. Só morremos como artistas. Isso seria a eternidade?»

Clarice Lispector


Esta é que é a minha noção de teatro. Do outro, do que passa nos palcos gosto pouco... Que se há de fazer?




domingo, 26 de março de 2017

As mudanças horárias





Já aqui disse por mais de uma vez: não me dou nada bem com estas mudanças pendulares da hora. Desorientam-me o ritmo, o sono e a disposição. Fico rabugenta. Pronto(s)!!

Mas, como gosto de saber a génese das coisas, fui à procura e fiquei a saber que…

O nome oficial das mudanças horárias é "Daylight Savings Time". Foi pensado por Benjamin Franklin para poupar velas... em 1784. Mas a ideia só andou para a frente graças a um londrino — William Willett –, que, no entanto, não conseguiu convencer os governantes do país com o panfleto “The Waste of Daylight”, em 1907. O jovem Winston Churchill apoiou a teoria, mas ela não chegou ser aprovada.

A Primeira Guerra Mundial estalou pouco depois. A Alemanha e o império Austro-Húngaro abraçaram a ideia de Willett. O Reino Unido e a França anunciaram poucos dias depois a mesma decisão. Willett, que só queria mais luz solar pela manhã para continuar a colecionar insetos, havia morrido no ano anterior e não viu o horário de verão ser implementado. Em 1917 foi a vez da Rússia e dos Estados Unidos. Ironicamente, a guerra que desuniu o mundo juntou-os neste capítulo.

Quando terminou a guerra houve quem abandonasse o tal horário de verão. A Segunda Guerra Mundial trouxe-o de volta, mas voltaria a cair em várias zonas do globo.

Portugal acabou por também se incorporar nesta mudança, de imediato em 1916. "Foram sobretudo problemas relacionados com o esforço de guerra que levaram a Alemanha a avançar. Portugal seguiu isso porque toda a Europa o fez e assim conseguia agilizar melhor as relações com os países vizinhos"- refere Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa.

Só na década de 70 é que o Daylight Saving Time foi uniformizado, principalmente em 1974, quando os Estados Unidos e vários países europeus foram confrontados por um embargo no petróleo, depois da crise energética de 1973.

Em Portugal houve um período de quatro anos em que foi adotada a hora central europeia. Foi em 1992 (não houve mudança para a hora de inverno) e durou até 1996. "Não era uma boa solução. Teve impactos negativos. No inverno de manhã ainda havia estrelas no céu e no verão havia luz solar até depois das 22.00. Teve efeitos nas pessoas e no rendimento. Houve um aumento de acidentes rodoviários, porque as pessoas saíam de manhã ainda a dormir. O consumo de ansiolíticos disparou e teve um grande impacto nas escolas, sobretudo no inverno", recorda Rui Agostinho.


Enfim! E é por estas e por outras que temos de “aguentar” estas inefáveis mudanças da hora e… carinha muito alegre! Ai, ai!



sábado, 25 de março de 2017

A noite está tão fria, chove lá fora...

A noite está mesmo muito fria e chove lá fora.

Como diz este samba canção de 1957 de que me lembro desde os meus 12 ou 13 anos. Muito bonito!

Alguém se lembra?




quinta-feira, 23 de março de 2017

Encontro

Nem imaginam quem conheci hoje. A nossa amiga blogger Elvira Carvalho, do Sexta-Feira.
Pois foi! Ela veio em visita a Leiria e eu fui ter com ela. Tinha tido a amabilidade de me avisar e informar sobre o seu périplo pela cidade durante a manhã e durante a tarde. Triste mesmo foi o tempo estar tão mau!! Chuva e mais chuva e muito frio - a temperatura não subiu para além dos 10 - 11 graus durante o dia todo.




E foi assim que, depois de a andarilhar desde a Praça Rodrigues Lobo até à Sé, pela rota do Crime do Padre Amaro, encontrei o grupo, encharcados - e eu também - todos enfiados debaixo dos toldos da Praça a ouvirem a pequena palestra da Bibliotecária Municipal de introdução à dita Rota.

Procurei-a por entre o grupo apinhado, mas logo, logo a identifiquei pelos seus belos cabelos brancos. Foi um encontro muito breve, dadas as circunstâncias, mas ainda deu para darmos uns bons abraços e... para eu receber esta prenda que ela própria criou.




Obrigada, Elvira!


quarta-feira, 22 de março de 2017

«Resposta ao pequeno holandês»

Bom, as gargalhadas que eu dei quando cheguei ao fim da crónica do Ferreira Fernandes no DN de hoje, a propósito das tolices que aquele holandês, Dij qualquer coisa, lançou pela boca fora sobre os povos do sul: "Não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e logo depois pedir ajuda.

(Não fica bem falar de copos de vinho no Dia Mundial da Água, mas tem de ser…)

Já tinha lido toda a espécie de comentário no facebook, alguns bem furiosos, outros com muita piada, outros sérios, outras a desvalorizar… Enfim, no facebook encontra-se de tudo para todos os gostos, o que é por de mais divertido. E didático…

Agora, ligar aquela saída de muito mau gosto ao melhor da pintura que se fez na Flandres e depois terminar com a arte cerâmica das Caldas é que achei de mais!!

Então o cronista, em tom bem divertido, começa assim: «Ah, o que o noticiário de ontem me trouxe de arte e luxúria! Passeei-me pela Holanda, quando ela era grande e não só entreposto de impostos dos outros. Rembrandt em autorretrato, uma mão pousada no nadegueiro da sua mulher Saskia e outra levantando o cálice. Mulheres e copos.(…)»  

Depois faz um belo de um périplo pelos melhores pintores holandeses do século XVII que pintaram mulheres e vinho em situações menos próprias, terminando desta forma para além de hilariante: «Já para responder a Jeroen Dijsselbloem, um curso rápido de arte portuguesa chegava: um caralho das Caldas para ti, pequeno holandês.»

Vale a pena ler a crónica completa!


Entretanto, fui ver a tal brochura da Académie Amorim “O Copo de Vinho na Pintura Holandesa”, onde o cronista foi beber a inspiração e as referências artísticas e deixo aqui alguns dos quadros indicados.

Sei que vão gostar.


Auto-retrato de Rembrandt com a mulher Saskia

Frans Hals

Frans Hals

Gabriel Metsu

Vermeer

Jan Steen

Jan Steen

Jan Steen

Jan Steen

Jan Steen

terça-feira, 21 de março de 2017

A Árvores, a Floresta e a Poesia

Tanta beleza a celebrar no dia de hoje!

Vamos ver se sou capaz...

A Árvore...



A Floresta...



E a Poesia...


Para escrever o poema

O poeta quer escrever sobre um pássaro:
e o pássaro foge-lhe do verso.

O poeta quer escrever sobre a maçã:
e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.

O poeta quer escrever sobre uma flor:
e a flor murcha no jarro da estrofe.

Então, o poeta faz uma gaiola de palavras
para o pássaro não fugir.

Então, o poeta chama pela serpente
para que ela convença Eva a morder a maçã.

Então, o poeta põe água na estrofe
para que a flor não murche.

Mas um pássaro não canta
quando o fecham na gaiola.

A serpente não sai da terra
porque Eva tem medo de serpentes.

E a água que devia manter viva a flor
escorre por entre os versos.

E quando o poeta pousou a caneta,
o pássaro começou a voar,
Eva correu por entre as macieiras
e todas as flores nasceram da terra.

O poeta voltou a pegar na caneta,
escreveu o que tinha visto,
e o poema ficou feito.

(Nuno Júdice)


Tudo isto é poesia mesmo!!



segunda-feira, 20 de março de 2017

Equinócio

(daqui)


Timidamente, a Primavera lá chegou hoje, a meio da manhã. 

O Sol, no seu movimento aparente, passou no equador celeste. Deu-se o equinócio, que à letra, significa «noite igual» ao dia, ou seja, as noites têm a mesma duração dos dias. 

Para celebrar o equinócio que aconteceu hoje e vem introduzir a Primavera deste ano, encontrei um poema de David Mourão-Ferreira que tem precisamente esse nome - Equinócio.


Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

(1966)