segunda-feira, 26 de junho de 2017

Publicidade Pingo Doce na Holanda

Eu sei que este vídeo é antigo, mas a pouca vergonha do merceeiro Alexandre continua atual. Depois criou a Fundação - que durante anos foi dirigida pelo Sr António Barreto e pelo seu enorme ressentimento - e pensa que está tudo pago ao país...

O texto é da autoria de Rui Zink.



domingo, 25 de junho de 2017

Era disto que eu precisava!


Que me limpassem os miolos...





sábado, 24 de junho de 2017

São João

A nossa amiga blogger ematejoca lançou-me o repto na minha publicação do dia de Santo António de saber de um poeta nascido no dia de São João.

A minha "investigação" foi muito superficial, por isso não encontrei nenhum nome dos que me agradam.

Voltou a aparecer-me a poesia de Pessoa que, por ser dos que me agradam muito, mesmo muito, deixo-o aqui  acompanhado de Caeiro.


Noite de S. João

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"


Do longo poema São João do Pessoa ortónimo, transcrevo um excerto (de uma parte menos agressiva...) 


(...) Es um rapaz ainda menino
Que tem por missão boa,
Por missão sorridente e socegada
Ter ao collo um cordeiro pequenino.

Lá o que esse cordeiro significa
Não tem cheiro
Para o povo, que tem a alma rica
Da emoção que não conhece.
Para elle o cordeiro é um cordeiro,
E o menino sorri e a vida esquece.




O resto são fogueiras
E os saltos dados a gritar
Com um medo exaggerado
Feito tudo de maneira
A mostrar
O riso, as pernas e o agrado.
E quente e anonyma a aragem,
Tudo é juventude e viço
Num arraial multicolor e vasto.
Bonito serviço
Como homenagem
A quem, ainda com cabeça, foi um casto!

(…)

(ortografia anterior ao acordo ortográfico de 1945)

Para ler o poema completo clique aqui.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Prémio Camões




Só que ainda não tive tempo de falar aqui do Prémio Camões deste ano (29ª edição) atribuído, no passado dia 8, ao poeta Manuel Alegre. E muito justamente.

Ao lado de poetas e escritores portugueses de alto nível como Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Saramago, Eduardo Lourenço, Agustina, Lobo Antunes, Sophia e de muitos outros grandes cultores da Língua Portuguesa do Brasil, de Moçambique, de Cabo-Verde, Manuel Alegre entra para esta galeria aos 81 anos de idade e mais de 50 de escrita publicada.

O que mais me encanta nesta atribuição é o cruzamento constante da sua poesia – tantas vezes épica – com a do nosso poeta maior. Como Camões, também Alegre foi um poeta exilado.


Lusíada Exilado

(…)
Há nevoeiro em mim. Dentro de abril dezembro.
Quem nunca fui é um grito na memória.
E há um naufrágio em mim se de quem fui me lembro
há uma história por contar na minha história.

Trago no rosto a marca do chicote.
Cicatrizes as minha condecorações.
Nas minhas mãos é que é verdade D. Quixote
trago na boca um verso de Camões.

Sou este camponês que foi ao mar
lavrou as ondas e mondou a espuma
e andou achando como a vindimar
terra plantada sobre o vento e a bruma.

Sou este marinheiro que ficou em terra
lavrando a mágoa como se lavrar
não fosse mais do que a perdida guerra
entre o não ser na terra e o ser no mar.

(…)
Eu que fundei Lisboa e ando a perdê-la em cada
viagem. (Pátria-Penélope bordando à espera.)
Eu que já fui Ulisses. (Ai do lusíada:
roubaram-lhe Lisboa e a primavera.)

Eu que trago no corpo a marca do chicote
eu que trago na boca um verso de Camões
eu é que sou capaz de ser o D. Quixote
que nunca mais confunda moinhos e ladrões.

Eu que fiz tudo e nunca tive nada
eu que trago nas mãos o meu país
eu que sou esta árvore arrancada
este lusíada sem pátria em Paris.

Eu que não tenho o mar nem Portugal.
(E foi meu sangue o vinho meu suor o pão.)
Eu que só tenho as lágrimas de sal
que me deixou el-rei Sebastião.

Lusíada exilado. (E em Portugal: muralhas.)
Se eu agora morresse sabia por quê.
Venham tormentas e punhais. Quero batalhas.
Eu que sou Portugal quero viver de pé.

In 30 Anos de Poesia, 1996


E sobre Luís de Camões, escreveu assim:

Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
tinha um órgão no sangue uma fonte de música
tinha uma flauta.

Os outros armavam-se mas ele não:
tinha uma flauta.
Os outros jogavam perdiam ganhavam
tinham Madrid e tinham Lisboa
tinham escravos na Índia mas ele não:
tinha uma flauta.

Tinham navios tinham soldados
tinham palácios e tinham forcas
tinham igrejas e tribunais
mas ele não:
tinha uma flauta.

Só ele Príncipe.

(…)

De fora vieram reis
vieram armas de fora
os príncipes entregaram armas
ficou sem armas o povo.
As armas de fora venceram
todas as armas de dentro.
Só não venceram o que não tinha armas:
tinha uma flauta.

E as vozes de fora mandaram
calar as vozes de dentro.
Só não puderam calar aquela flauta.
Vieram juízes e cadeias.
Mas a flauta cantava.

(…)
E quando tudo se perdeu
ficou a arma do que não tinha armas:
tinha uma flauta.

Ficou uma flauta que cantava.
E era uma Pátria.

In  “A Praça da Canção” , 1967

"Estendida nesta linha de influências e modelos, a poesia de Manuel Alegre faz ressurgir a voz de Camões numa espécie de canto geral da condição lusíada. Épica naquilo que tem de exaltar, lírica na voz sofrida daquele que busca e não encontra o sentido dessa condição; eis uma poesia que pesquisa a raiz ancestral do ser, a origem da grandeza ética." (João de Melo, 1989)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Estórias? Nunca!



Tropeço constantemente na palavra «estórias» - que abomino.

Como em tantas coisas na vida de todos os dias, também gostamos/usamos mais umas palavras do que outras e eu, exagerada como já deu para ver que sou, detesto a palavra «estórias». Talvez um estudo de caso para os psicolinguistas…

A minha embirração por esta palavra tem a ver com o nacional-parolismo de que sofremos de usar estrangeirismos a torto e a direito para parecermos mais letrado, mais conhecedores. Ai, ai! De sábado para cá, entro – por razões trágicas de mais – a moda dos «briefings». Mas uma das maiores parolices – entre paletes de muitas outras – é a utilização em massa do anglicismo «timing» que é usado como sinónimo de tempo… Já para não falar nos «mídia»…

Enfim.

Hoje dei outra vez de caras com a dita palavra «estórias» num jornal aqui da terra e pensei e até verbalizei: «a birra que sinto contra esta palavra deve ser idêntica à birra que os que dizem Não ao NAO sentem por ele….»

Só que o Acordo Ortográfico é mais um ajustamento da grafia – e desde o início do século XX que se fazem esses ajustamentos. Entre «história» e «estória» – que têm o mesmo étimo grego – pretende-se imitar a diferença entre as palavras inglesas «story» e «history», ou imitar a diferença semântica utilizada no português do Brasil.

Já no século XIX o “bom” Ega/Eça dizia: «… este desgraçado Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrangeiro – modelos de ideias, de calças, de costumes, de leis, de arte, de cozinha… Sòmente, como lhe falta o sentimento da proporção e ao mesmo tempo o domina a impaciência de parecer muito moderno, muito civilizado – exagera o modelo, de forma-o, estraga-o até à caricatura.»


(In Os Maias, Edição «Livros do Brasil», Lisboa, pág. 703)


Para saber mais sobre a palavra «estória» clique aqui. 


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Loucuras de Verão

Primeiro dia de Verão. Curiosamente bem mais fresco que os últimos desta Primavera.

Depois de tudo, a lembrança desta musiquinha louca que conta as loucuras dos dias de Verão dos loucos tempos de 60/70.

Esta, do estilo skiffle*, foi mesmo editada em 1970 e foi um sucesso em Inglaterra e nos Estados Unidos. E por cá também, que eu bem me lembro... e até tenho o single...

Alguém se lembra?



* skiffle - música folk com influência de jazz e blues.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Aquecimento global

Texto recebido do nosso querido amigo blogger Rui da Fonte.

«As alterações climáticas que produziram um dia como o de sábado em meados de Junho ameaçam destruir a floresta portuguesa. E perante a iminência de um cataclismo desta dimensão, o país tem de ir muito para lá das perguntas de contexto ou da justa expressão das dores do momento: precisa de uma energia, de uma determinação e de um conjunto de meios para debelar o problema que parece estar para lá das nossas capacidades actuais.

Ainda assim, parece cada vez mais claro, a intervenção no ordenamento florestal tal como a conhecemos, parece cada vez mais condenada a resumir-se a uma medida paliativa para um problema de dimensões colossais. O planeta está a aquecer, Portugal está a aquecer e as nossas florestas, altamente vulneráveis ao fogo, parecem ser as primeiras vítimas dessas mudanças profundas. Um incêndio com as proporções do deste sábado em meados de Junho é algo inimaginável na geração dos nossos avós. E um dia nesta estação com tão altas temperaturas e zero humidade é uma circunstância meteorológica que vai tornar-se num novo normal. O pinhal em Pedrógão ardeu como ardeu porque não há defesa natural possível a um fenómeno desta intensidade.

Não sabemos se teremos recursos, energia, meios humanos, ciência ou perseverança para responder a esse dramático desafio. Soubemos sim com o fogo descontrolado deste sábado no Pinhal Interior que o aquecimento global está a tornar a aposta em leis avulsas para os proprietários ou estratégicas de combate com o nome de grandes operações militares num esforço condenado a fracassar.

Não está em causa a culpa ou a omissão dos políticos, dos proprietários florestais ou dos bombeiros: está em causa a constatação de que há uma ameaça que elevou a sua escala de periculosidade e de destruição e a noção de que, nas circunstâncias actuais, não temos forma de a travar.

Está na hora de tomarmos consciência do que nos espera. De ano para ano a temperatura vai subir e cada vez mais horrores como o de Pedrógão hão-de repetir-se. Não está em causa uma fatalidade. Está apenas em cima da mesa a pergunta dolorosa: seremos, colectivamente, capazes de encontrar meios para enfrentar um tão grande desafio?»

Manuel Carvalho – Público