segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Animais de Estimação

Então fiquei a saber pelo jornal que se celebra hoje o Dia do Animal de Estimação. A propósito e também pelo jornal fiquei a saber que os municípios estão a transformar, por força da legislação, os velhos e tenebrosos canis de abate por casas de recolha e tratamento dos animais abandonados para possível adoção. Lisboa orgulha-se de ser a cidade pioneira na recolha e manutenção dos animais abandonados na Casa dos Animais.

Todos os animais de estimação que tive – e já tive alguns! –  foram resgatados da rua ou dados por amigos. Todos sem nome, sem dono, sem raça, sem pedigree… E todos foram muito amados, muito bem tratados. Claro que cada pessoa é como é e faz com o seu dinheiro o que muito bem entender, mas fico completamente de queixo caído quando me dizem que dão centenas de euros por cão ou por um gato “de marca”… Ostentação?

E, a propósito, lembrei-me desta canção que já tem uns aninhos mas que continua muito atual já que está carregadinha de ironia.


Lembram-se?




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Passam 20 anos sobre a morte de Rómulo de Carvalho

Em jeito de homenagem.

«...As minhas dores no estômago e nos intestinos continuam sem descanso e os médicos não descobrem o que tenho apesar de todo o seu saber, simpatia e generosidade. É preferível morrer. É neste estado que vos escrevo embora a minha letra, que aqui vêdes, não dê sinal de tantos males e de tão profundo abatimento. Fui sempre pessoa de grande coragem e espero conservá-la até ao último momento.

A todos os que me estimaram e, no extremo, me amaram, um longo adeus com os olhos tristes. Muito em particular para os meus mais íntimos. Deixo, neste vale, a minha mulher Natália, dois filhos (uma filha e um filho) e cinco netos (duas netas do filho, e uma neta e dois netos da filha). Todos me estimaram, e até me amaram muito, cada um com a sua capacidade de expressão.

E é tudo.

Chamo-me Rómulo e nasci no dia 24 de Novembro de 1906 com sete meses de gestação. Faleci em 19 de Fevereiro de 1997.
Adeus.

(Rómulo de Carvalho em "MEMÓRIAS" - uma edição da Fundação Gulbenkian em 2010)

(retirado da página do facebook de sua filha, a escritora Cristina Carvalho)




A morte do poeta António Gedeão deu-se anos antes como muito bem explica o escritor Urbano Tavares Rodrigues. Foi em 1984 com o lançamento de “Poemas Póstumos. O poeta morre, tal como nasceu, pelas mãos do seu criador— Rómulo de Carvalho.

"Em «Poemas Póstumos», Gedeão continua a dar-nos poemas de vibração colectiva, mas as suas tonalidades tornam-se com frequência mais escuras e o tecido lírico é invadido por um certo cepticismo. Lembro o triste, terrível «Poema do Amor Fóssil» (Poemas Póstumos), com o seu advertido receio de insensibilidade do mundo cibernético. Um dos poemas capitais desta segunda fase de António Gedeão é o doloroso «Poema sem Esperança», onde o sujeito poético conta ter simulado por vezes, como um médico, como um soldado, mais esperança do que aquela que sentia.

(…)

Ao optimismo do século XIX, à sua crença ilimitada no progresso, sucede neste final do século XX, uma habituação ao pesadelo.

(…)

Hoje, perante as desigualdades, o desemprego, as monstruosidades sociais e intercontinentais que estão nascendo dos modelos da globalização, sob a tutela de um pensamento único - o do neoliberalismo venerador do dinheiro acima de tudo, sentimos a falta de mais vozes como a de António Gedeão, que se calou após os seus Poemas Póstumos»."

(TAVARES RODRIGUES, Urbano, "Decifrados do mundo, Alquimista do sonho", in Jornal de Letras, Lisboa, 26 de Fevereiro, 1997)

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Poema do amor fóssil

Quem de nós falará aos homens que hão-de vir
quando o grande clarão encher de luz
e pasmo as nossas bocas?
E como?
Que língua entenderão eles?
Que símbolos, que sinais, que apagados murmúrios,
lhes falarão de nós,
desta fluida e versátil multidão,
destes seres que aparentam rosto humano
e como tal comovem,
mas que olhados do alto são lepra do planeta.
Que significará sofrer, amar, lutar,
quando as nossas misérias e tormentos
não forem mais do que pegadas fósseis?
Que palavras há-de o poeta reservar
para o coração de plástico dos homens que hão-de vir?
Que santo e senha entenderão
Que de nós restará neles?
Que parecenças terão com estes hominídeos
que amaram a Natureza porque lhes era hostil
e suportaram o próximo porque não eram livres?
Que verbo deverá ficar gravado na pedra que o vento não corroa,
que lhes fale dos humilhados e dos ofendidos,
dos sonhadores e dos impotentes,
dos ansiosos, dos bêbados e dos ladrões,
desta ridícula, miserável e corrupta humanidade
que instala os arraiais da morte alegremente
num campo que foi verde e que não volta a sê-lo?
Amor?
Como será amor em língua cibernética?

(António Gedeão, in Poemas Póstumos)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dia Mundial do Gato

Viva Como um Gato

A  minha Pipinha

1° Observe e crie estratégias antes de colocar um plano em prática;




2° Agarre-se à sua caça, capture o seu prémio, seja um projeto pessoal ou profissional;




3° Demonstre e viva intensamente a sua felicidade, seja verdadeiro;



4° Caia em pé depois de uma queda alta, levante-se e siga em frente;



Seja gentil e amoroso, mesmo que esteja a passar por dificuldades;




6° Livre-se das coisas que não fazem bem, transmutando a energia (segundo a filosofia Xamã, os gatos convertem energia negativa em positiva por isso têm a mania de roçar seu corpo nos humanos);






Descanse da vida corrida, durma e recarregue as energias;




8° Não atrapalhe o próximo (os gatos raramente interferem na vida dos donos, a inteligência impede-os de praticarem atos que modifique o quotidiano. Por isso, são chamados popularmente de “donos do próprio nariz”);





Seduza para conquistar o que deseja (os felinos usam o corpo e olhar para obterem o que querem);




10° Ame o próximo pela essência e não por sua aparência ou posição social.





E, já sabe! Viva como um gato!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O relógio na Inbicta...

(que me desculpem os meus amigos do Norte...)

António mostra orgulhosamente o seu novo apartamento a um amigo, após um jantar bem regado. Quando chegam à sala, o amigo repara numa enorme tampa de panela pendurada numa parede e pergunta:

- O que é aquilo?

António responde:

- É o meu relógio!

- E como funciona? - pergunta o amigo.

António pega num martelo e arregaça uma pancada enorme no gongo.

De repente, ouve-se do outro lado da parede:

- BAI PRÓ C...!...., GRANDESSÍSSIMO FILHO DA P... ......, SÃO DUAS HORAS
DA MANHÃ!!!!

- Bês... num falha, carago!!!!




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Da desonestidade

De facto, não vivemos num país honesto. Não vivemos num mundo honesto. E não venho aqui falar das licenciaturas tipo-Relvas nem de outras parecidas desonestidades do tipo manipulação ou brainwash (desculpe-se-me o anglicismo, mas parece menos mal do que “lavagem ao cérebro”…) numa época em que os fins justificam (todos) os meios. 

Desde que a economia tomou o lugar da ética dos costumes e do humanismo, vale tudo para enganar o próximo. Pode ser imoral, mas desde que seja legal… ou pseudo-legal , tudo bem. Sabemos bem como somos peritos em fazer interpretações paralelas da legalidade.

Um dia destes, uma operadora de telecomunicações ofereceu-me um desconto de trinta euros mensais relativamente à minha atual operadora com menos um serviço que de facto eu não uso. Contactei a minha operadora, com cujo serviço estou assaz satisfeita, e informei que ia mudar apenas porque estava a pagar muito, a não ser que eles me baixassem de cinco serviços para quatro e fizessem o acerto devido. Passado não sei quanto tempo, ofereceram-se para me fazer um desconto mensal de cinco euros. Fui literalmente aos arames com semelhante oferta e perguntei se eles me tomavam por parva! Menos um serviço e tiravam-me cinco euros?! Que não, que eu não tinha entendido bem, que me mantinham os cinco serviços e me tiravam cinco euros. Vociferei! Disse que não utilizava o quinto serviço e por isso mudaria de operadora. Mais dez ou quinze minutos de espera ao telefone… Então mantinham-me os cinco serviços e far-me-iam quinze euros de desconto e não pagaria a box. Bom. Mas tive de dizer ao pobre do assistente do cal-centre, que não tem culpa nenhuma, que não vivemos num país sério, que se não “negociarmos” e vociferarmos não ganhamos nada. Se fossem sérios, não estariam à espera da ameaça para baixarem as mensalidades.

É assim em todas as áreas. Até na escola. Uma desonestidade geral, uma trapalhice própria de quem não é sério e está a ver se se safa à conta dos outros. Tudo isto porque vivemos num estado de impunidade geral. Infelizmente, não temos quem nos defenda das trapalhices, da falta de honestidade, da indiferença, do deixa-andar, da indolência instituída.

Pior é quando a desonestidade implica os alunos. Que dizer daquela professora que diz aos alunos que não se preocupem a estudar os conteúdos tal e tal porque já foram suficientemente avaliados e depois, pelo menos um terço do teste versa esses mesmos conteúdos? Que dizer do grupo disciplinar que adota um manual que explora determinada obra literária e depois, nas aulas, ignora-se essa obra e estuda-se outra que não consta do manual e que os alunos têm de comprar ou imprimir da net?


Poderia aqui apresentar mais uns tantos “episódios” de desonestidade para cima dos alunos, mas não quero maçar os meus leitores…




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Pobre Cupido...

Com tantas solicitações no dia de hoje, o pobre Cupido desnorteou...



Pobre Cupido, sempre tão maltratado... Em tempos que já lá vão, até houve que lhe chamasse Estúpido Cupido. 

Lembram-se?




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dias da Rádio

E porque dizem que hoje é o Dia da Rádio, fica aqui a memória do filme Radio Days de Woody Allen (1987)


«As décadas de 30 e 40 foram os momentos áureos do rádio nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody Allen escreveu e dirigiu o filme Radio Days, que conta as lembranças de um garoto e sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial. Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio norte-americano, e também conta histórias, como se fosse o protagonista, relembrando sua infância permeada pelos programas de rádio da época.

Naquela época, o rádio tinha um papel preponderante como veículo de comunicação de massa. A melhor maneira de nos mantermos informado sobre os acontecimentos da sua terra e do mundo era através da rádio. O filme mostra como toda a população norte-americana acompanhou apreensivamente a narrativa do ataque à base naval de Pearl Harbor, bem como a reportagem de uma menina que caiu a um poço.

Outra demonstração da influência da rádio na vida das pessoas, e que foi aproveitada no filme, foi o programa de Orson Welles, inspirado no livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Orson Welles transmitiu um programa especial do Dia das Bruxas, no ano de 1938, simulando uma série de relatos sobre invasões alieníginas à Terra.

O filme é interessante por relatar de forma bem-humorada e nostálgica a era de maior impacto da rádio, já que na década seguinte ela perdeu espaço com a chegada da televisão. No entanto, mesmo com a sua decadência, podemos dizer, ao assistirmos ao filme, que o seu apelo foi mais profundo que o da televisão. Por se apoiar apenas no som, ela é naturalmente um veículo que exige mais atenção. As histórias ficavam no plano do imaginário e é nisso que consiste o glamour dos programas radiofónicos.»

(in Wikipedia)